

A ingratidão é um elemento complicado na vida e é circunstancial, podendo ‘brotar’ em qualquer lugar, na família, por exemplo. Como diz Djavan sobre o amor: “um passo pr’uma armadilha; tanto engorda quanto mata, feito desgosto de filha”.
Mas, na política é onde a ingratidão dá mais que chuchu em cerca. É terreno fértil para a conspiração e onde os olhos alimentam os desejos mais perniciosos. Em todos os dias há um plano de conspiração, aqui ou acolá. Um certo Scandal escreveu que “Duas coisas formam uma coincidência. Três coisas formam uma conspiração”.
Sem mais rodeios, dorme aqui na minha memória a campanha política de 2.008, quando um grupo restrito buscou o substituto para o prefeito reeleito, Flávio Dalmolin. No governo, uma batalha sem igual esfacelou o grupo que estava no poder, havia perto de oito anos, com a imposição de um nome internamente. Foi o ato final para a derrocada do governo, à época.
De outra parte, foram buscar um nome fora da política, porém, renomado na sua atividade profissional, o médico popular na comunidade e para buscar agregar, buscaram outro desconhecido, lá da zona rural, cuja dupla virou até frase propalada: “O doutor e o fazendeiro”.
E não é que superaram as imposições e as falhas de gerenciamento político dentro do governo naquele ano de 2.008.
Um dos ingredientes que mais implementou a campanha vitoriosa de 2.008, foi a participação do respeitado Sebastião Gilmar Luiz da Silva, o Gilmarzinho da Ecoplan. De grande incentivador e partícipe direto na campanha, Gilmarzinho da Ecoplan viria a se tornar alvo de uma conspiração, exatamente com vistas a reeleição do então candidato, logo nos primeiros meses da administração 2.009/2.012.
Por volta de maio ou junho de 2.009, já estava no ar o vislumbre da reeleição do governante da época. A partir de 2.010, foi quando a conspiração evoluiu, através de um grupo, cuja participação na campanha foi baixa por absoluta falta de densidade eleitoral.
O que mais se ouvia falar era na “demolição” do chamado grupo do Gilmarzinho, por medo absoluto de que o adversário criado seria o mesmo que os ajudou a chegar ao poder. Estava criada a teoria da conspiração.
Daí, para a geração de um panfleto apócrifo, gerado por muitas cabeças, orquestrado na mais absoluta inabilidade, buscando ali um culpado fora do governo para estabelecer a cizânia em nome da “extração” do grupo do companheiro. E que companheiro.
Atribuíram a criação do panfleto a alguém de fora do governo, sob a denominação de “A Cegueira Nordestina”, cujo conteúdo tinha uma mensagem conspiratória que era a senha para a ruptura com o grupo de “ex amigos”.
O caso foi parar na Polícia, onde muita gente foi chamada para averiguação. Estava ali decretada a conspiração, a partir da exoneração de parte do grupo que chegou ao poder em 2.009. E estava, também, formada a nova equipe de gestão, a partir da chegada de um “mago” das finanças, que foi logo esculachando com os empresários ao afirmar que ninguém queria pagar impostos e seriam adeptos do “venha a nós…”.
Com a chegada desse mágico (às avessas), cuja varinha nunca funcionava, estava criado o cenário perfeito para a reeleição. E nesse bojo, um artista que chegaria para revolucionar na refrigeração do ar dentro da Prefeitura.
A conspiração baniu o grupo de Gilmarzinho e ficaram os bons de votos e grandes articuladores políticos que representavam a somatória com o “mago” das Finanças. E o município de Nobres passou a conviver com obras e mais obras, ao ponto de esquecerem que os que eram cegos, continuaram cegos (pela reeleição); e os que enxergavam, mesmo, figuravam na lista dos excluídos.
O “mágico”, cuja varinha não funcionava, não passava de um ilusionista naquele reino onde as brumas adornavam a incompetência no trato com a gestão administrativa e na política, idem…
… e a Cegueira Nordestina consumou-se no processo de reeleição, onde até o fazendeiro foi descartado. O eleitor, que não era cego nem nada, viu a realidade diante de tanta comilança, de pizzas e peixe na telha, de festins custeados pelo “mágico” da nossa mísera “Wall Street” do calcário.
Com o eleitor de olhos bens abertos ante a teoria e a prática da conspiração, em Nobres aconteceu uma das maiores goleadas da política em termos de placar, com 2.219 votos de diferença, ou seja: 5.753 contra 3.534 votos nas eleições do ano de 2.012.
Esse Gilmarzinho é danadinho, mesmo. E até hoje muitos se perguntam: por onde anda o mágico da varinha inútil? E os fariseus e os escribas que tentaram tirar Sansão da jogada, querendo fazer dele um cego, sem saber que os cegos, de fato, eram eles.
Com uma queixada de um único burro, Sansão matou todos os Filisteus e aqueles que desejavam a sua cegueira, por tabela, viram que ele enxergava bem (até demais!). Cegos, mesmo, eram os que fingiam ver o futuro através daquela lâmpada do mágico…
… decepcionante, deve ser, um mágico cuja varinha não funcionava. E desde então, todos foram felizes para sempre.




















































