Ainda que seja uma má comparação, levando-se em conta a noção de grandeza de um e outro, mas o Governo Federal sob Luís Inácio (Lula) da Silva, com todos os defeitos que se lhe imponham, a sua habilidade política é infinitamente superior à de muitos outros políticos.
Mesmo quando o barco parece se encaminhar para o naufrágio, ele tira um coelho da cartola através do diálogo e da habilidade no terreno que aprendeu a compreender. Argumenta-se, muito, sobre a sua falta de sapiência ou do seu grau de escolaridade, mas a malandragem política só se aprende dentro dela.
Nada é comparável diante dessa relação de grandeza, mas no nosso cenário doméstico, tal situação só é comparável ao período em que o líder político, dr. Luiz Gonzaga Nogueira Barbosa, “mandava” ou praticava ingerências na gestão da prefeita Lídia Barbosa Nogueira, sua irmã, eleita pelos votos populares.
Dr. Luiz, cuja presença metia medo ou afugentava possíveis adversários. Lídia venceu as eleições de 1.992 com uma equipe de vereadores que trabalharam pela vitória diante de um adversário “inventado” pelo PMDB. No caso, o médico Manoel Loureiro Neto, que tinha tudo para ganhar e perdeu por 216 votos de diferença.
Ao praticar suas imposições, dr. Luiz Barbosa rompeu com o seu grupo de vereadores e passou a dominar as ações sem apoio dos parceiros parlamentares. Demitiu secretários e, enfim, sucumbiu diante de uma doença que o levou ao fim do primeiro ano de gestão, em dezembro de 1.993.
A partir do seu passamento, os vereadores, à época, sob comando de Edison Luiz Pinto (Preá), dominaram as ações e a gestão Lídia Barbosa chegou ao fim, discretamente.
Na atual conjuntura política, o então prefeito Leocir Hanel (PSDB), foi buscar um substituto para cumprir uma gestão que pudesse fazer face aos dois mandatos que cumpriu. Ainda que tenha sido “pescado” pelo ex-prefeito Sebastião Gilmar Luiz da Silva, por volta de 2.016, Leocir Hanel nunca demonstrou afinidade por Gilmarzinho da Ecoplan, politicamente falando.
E o então prefeito Leocir Hanel foi trabalhar pela “ressureição” do político aposentado, uma espécie de ex tudo no passado, José Domingos Fraga Filho. Rebuscado no passado embora fosse classificado como um grande articulador pela gestão de Leocir Hanel (2.017/2.020 – 2.021/2.024).
Consta que Leocir Hanel nutre simpatia por Zé Domingos por conta de ter-lhe aberto as portas do mundo político regional e com a bancada federal em Brasília.
Assim, Zé Domingos, veio disputar a sucessão de Leocir Hanel em 2.024. Mesmo com todo o seu currículo político, Zé Domingos passou apuros para superar uma candidata sem experiência administrativa. Apesar de contar com apoio da elite local e com apoio do prefeito Leocir Hanel que muitos o queriam longe dos palanques, a batalha foi anormal e insana.
Em suma, quem garantiu a vitória do então candidato Zé Domingos foram os vereadores e, de alguma forma, o prefeito, à época, Leocir Hanel.
Foram pouco mais de 450 votos de diferença, mesmo com todo esse contingente de poderosos. Porém, as divergências, estiveram presentes nos palanques, nos bastidores, onde havia uma série de imposições e de recomendações sobre nomes que não deveriam falar ao povo naqueles dias de campanha.
O atual secretário de Infraestrutura, Acendino Mendes, era um dos que não tinha recomendação para se apresentar em público. A restrição mais contundente era quanto ao ex-secretário Marcos Cheba, cuja esposa era candidata e foi eleita com a mais expressiva votação e que muito ajudou na diferença entre os candidatos majoritários.
Sem maiores delongas, na construção da vitória a maior “mão de obra” utilizada, os braçais, no caso os vereadores que apoiaram, de alguma forma, o então candidato Zé Domingos, hoje, não passam de meras “carpideiras” (pessoas pagas para chorar por defunto que não conhecem) na relação entre os poderes.
Resta saber, até quando os “pedreiros” que ajudaram a edificar a vitória vão continuar nesse papel, de carimbadores da vontade do mestre da sabedoria, prefeito Zé Domingos. “Mestre”, pelo fato de só ele falar, só ele saber de tudo e de não aceitar o diálogo com nenhum dos obreiros, aqueles que bateram às portas das casas para apresentar esse cidadão que não é nenhum desconhecido por aqui.
Tem uma propriedade à margem da MT-241, rodovia que ele lutou para pavimentar e a sua luta não foi em vão… viu valorizar o seu imóvel. Ou seria os seus imóveis na MT-241?
Mas, a verdade é que a situação, hoje, no Parlamento, é tida como “marionete” nesse teatro de imitações do passado. E o pior, essa pecha está sendo aceita, rotulada e carimbada pelos vereadores, obrigados a aceitar certos secretários, improdutivos e frutos proibidos da imposição do prefeito Zé Domingos, à espera de recursos de emendas parlamentares porque a arrecadação municipal está “camuflada” para custeio de despesas com o pessoal de primeiro e segundo escalão e ainda com a tal organização que interessa a um público imaginário… a malfadada Oscip que se apodera de cerca de 500 mil reais ou meio milhão de reais, como queiram.
Nesse teatro de marionetes, os vereadores não deixam a cochia enquanto o diretor de cena não mandar… e ele só manda… projetos para serem carimbados.
Esse cenário todo nos remete ao Século XII, na França, acerca da lenda sobre Tristão e Isolda, do tempo do Ciclo Arturiano. Quem quiser, que leia e entenda a lenda sobre Tristão e Isolda e saiba sobre a trama central lá no Reino da Cornualha.