Benedito Fernandes de Souza (*)

Quem se detiver a examinar os ensinamentos bíblicos, vai tomar conhecimento sobre o que se tem ciência através da crença cristã, a que diz que Jesus Cristo retornou à vida no terceiro dia após a sua crucificação na sexta-feira. Os ensinamentos estabelecem que havia um domínio de Jesus sobre a morte, o que revela que a narrativa é uma espécie de fato central para a fé cristã.
Embora aquele fato e o que citaremos agora não tenha correlação, os eventos denotam como a capacidade se assemelha ao que se construiu sobre as narrativas acerca da Fênix, a ave que simboliza o renascimento, o triunfo da vida sobre a morte, o eterno recomeçar.
Em outubro deste ano de 2.025, ao estilo da mitológica Fênix, porém, com algumas meras semelhanças, mas sem se afastar da essência, ao se mencionar a mesma criatura, é importante destacar os 33 anos de história do Hospital e Maternidade Laura de Vicuña, comemorado em outubro, vindouro.
O fato relembra sobremaneira, a vida e seus ciclos, a esperança, a dureza das batalhas cotidianas, os erros, os acertos e culmina no fato de que é preciso dar a volta por cima nas situações adversas. Seria imprecisa uma correlação com a astrologia, mas em que signo surgiu essa Casa de Saúde, marcada por grandes batalhas?
Provavelmente, sob o signo que determinou a luta de Laura Vicuña, a primeira filha do matrimônio de José Domingo Vicuña e Mercedes del Pino. O pai era militar e pertenceu a uma família da alta sociedade chilena e a mãe, oriunda de um meio social de menor poder aquisitivo e tal fato não agradava a família do esposo.
Relatos apontam que no fim do século XIX, o Chile se encontrava em guerra civil e de sucessão. Em um dos lados dessa batalha se achava Cláudio Vicuña, um parente distante de José Domingo, aquele que queriam fazer o sucessor do então presidente José Manuel Balmaceda. Vicuña não aceitou o cargo e iniciou-se uma perseguição a toda família Vicuña, fato que levou os membros da mesma família a buscar rotas para exílio daquele país, o Chile.
Ainda, segundo relatos, “em 1894, logo após o nascimento da segunda filha do casal, Júlia Amanda, José Domingo faleceu, deixando a sua esposa e filhas sem fundos, sem um futuro claro ou horizontes que pudessem seguir, além do risco decorrente de carregar o sobrenome Vicuña”.
E é aí que “Laura ingressa no convento das freiras Filhas de Maria Auxiliadora se entrega à Deus e as penitências por sua mãe, mas adoece gravemente e morre com13 anos de idade, em 22 de janeiro de 1904. Antes de morrer, ela revela à mãe o seu segredo, obtendo dela a promessa de mudar de vida e de começar uma vida nova”.
Voltando a nossa realidade, outra dura realidade, nasce em outubro de 1.992, o Hospital e Maternidade Laura de Vicuña, desde cedo carregando em seu começo, a pesada cruz que surge do seu ponto de partida, para marcar histórica e definitivamente, essa Casa de Saúde.
Grandes batalhas marcaram esse hospital, ainda agora, altivo e em pé, graças a dedicação de uma equipe de trabalho atualizada e empenhada naquilo que sempre foi o objetivo do hospital, preservar vidas.
O Hospital Laura de Vicuña, ao atingir seus 33 anos, não será ao terceiro dia que ressuscitará, mas serão todos os dias desde aquele 11 de fevereiro de 2.025. Terá sido e é fruto do empenho de toda uma equipe de valorosos profissionais que lá permaneceram com o propósito de o fazer reerguer das cinzas e alçar voos mais seguros na luta do dia a dia para cuidar da saúde das pessoas.
Batalhas se perdem, mas muitas outras foram vencidas e mais e mais estão sendo vencidas, segundo a segundo, minuto a minuto; hora a hora; dia a dia; para que vidas sejam salvas e a saúde e o bem estar dos pacientes bse mantenham preservados.
Uma casa de saúde é assim e o ressurgir das cinzas tem a dedicação, a luta insana de colaboradores que enfrentam dificuldades, salários em atraso, maquinações e rótulos herdados, outros, impingidos por adversários gratuitos.
Mas, o mais importante disso tudo é que, de mãos dadas, há uma ressureição a cada dia, quando todos aqueles que estiveram e seguem na luta cotidiana pela Casa da Saúde do Povo se erguem para lutar e, sobretudo, para agradecer por fazer parte de um ressurgimento contínuo em nome daqueles que batem à porta da casa de saúde à espera de uma benção da Divina Beata “Laura de Vicuña Pino”.
O Hospital e Maternidade Laura de Vicuña tem essa capacidade, graças a todos os seus apoiadores e colaboradores, de se reerguer das cinzas. E há o prenúncio de que coisas boas estão por acontecer, mas tudo será fruto de um trabalho em equipe, com gigantes empreendedores que estendem as mãos e ajudam nessa ressureição cotidiana.
(*) Benedito Fernandes de Souza – Redigi textos em Nobres




















































