A mais nova polêmica: ponte sobre o Ribeirão Nobres poderá ganhar nome de desconhecido da comunidade (atualizada)
Sem nenhuma identidade com a história de Nobres, salvo a rua de um empreendimento imobiliário com o nome do homenageado e a presença do filho e parentes no município
A recente proposta encaminhada pelo Executivo Municipal — Projeto de Lei nº 076/2025 — causou surpresa e descontentamento entre moradores de Nobres. Entre as denominações previstas, uma chamou atenção de forma negativa: a nomeação da Ponte sobre o Ribeirão Nobres, que liga a Avenida Filinto Müller ao Bairro Aeroporto, como “Ponte Avelino Hanel”.
De acordo com o texto do projeto, o senhor Avelino Hanel nasceu em Taquara (RS), foi prefeito no município de Araruna (PR) e faleceu em 1984, antes mesmo de ter qualquer relação direta com Nobres. O argumento apresentado na mensagem do prefeito José Domingos Fraga Filho é de que, após sua morte, os filhos do homenageado transferiram suas atividades agropecuárias para Nobres, “contribuindo decisivamente para o desenvolvimento econômico do município”.
A justificativa, no entanto, é frágil e soa desconectada da realidade local. O homenageado jamais residiu em Nobres, não tem registro de participação comunitária, política, social ou histórica na cidade, e não é lembrado pela população. Em resumo: o nome não tem vínculo afetivo, histórico ou simbólico com a comunidade nobrense.
A forma encontrada pela gestão anterior, de nomear as ruas do empreendimento familiar do empresário Leocir Hanel, tudo bem. No bairro Santa Clara já há uma rua sob essa denominação, Rua Avelino Hanel (foto, ao lado). Se não for o suficiente, o prefeito José Domingos Fraga Filho (UB) e os vereadores, que nos desculpem os parlamentares que devem acatar essa imposição.
É justamente esse tipo de escolha que esvazia o verdadeiro sentido das homenagens públicas. O ato de nomear logradouros deve ser uma forma de preservar a memória de quem ajudou a construir a história do município — e não uma homenagem por extensão familiar ou conveniência política.
Enquanto isso, diversos cidadãos e pioneiros que realmente contribuíram para o desenvolvimento de Nobres continuam sem qualquer reconhecimento público: trabalhadores rurais, comerciantes antigos, professores, líderes comunitários e tantas pessoas simples que marcaram gerações e deixaram um legado concreto de amor e dedicação à cidade.
Homenagens devem representar o sentimento coletivo e a memória viva do povo. A escolha de um nome desconhecido, sem raízes nem representatividade, soa como um desrespeito à identidade local e à própria história de Nobres.
A população espera que o Legislativo Municipal reavalie com responsabilidade o conteúdo do projeto, garantindo que as denominações de nossos espaços públicos expressem, de fato, a trajetória e os valores daqueles que fizeram de Nobres o que ela é hoje.
Foi realizada ao menos uma enquete ou consulta pública para tal medida?