
Como reconhecer o que se passa em uma cidade durante décadas, sem parar para pensar em que modelos de gestão já se teve nesse período, digamos, de mais de três décadas. Aliás, muito próximo de quatro décadas.
Do período em que administrou Nobres o lendário dr. Luiz Gonzaga Nogueira Barbosa, em um tempo em que não se cogitava a internet (pelo menos por aqui) e tudo acontecia e tudo se sabia à base do boca à boca. Foram dias difíceis, de “guerra” política e muitas tramas e tramoias.
Por exemplo, quando esconderam do vice-prefeito o livro ata e não permitiram que este assinasse a própria posse. Este fato fez com que o prefeito fosse afastado e assumisse o então presidente da Câmara, Jorge (Perú) Araújo Martins, o que suscitou uma demanda judicial que levou alguns meses para que o prefeito eleito retornasse ao exercício do mandato.
Tramas políticas de um período (1.985/1.988) em que o município não se desenvolveu e ficou à deriva, restando desse episódio precatórios que até há bem pouco tempo foram pagos. Enquanto essas demandas ocorriam, a estagnação era visível embora as alianças políticas fossem favoráveis, o que permitiu asfalto quente para o bairro Jardim, onde foram construídas obras pelo então governador Júlio Campos.
À época, era um município extenso, indo até Sorriso, sem que as condições financeiras permitissem cuidar de todos esses km de terras com os devidos cuidados. Até porque, na vida urbana as coisas também não fossem fáceis, onde os prejuízos se acumulavam em termos de estruturação.
Mas, o prefeito tornou-se uma figura lendária pelo fato de frequentar botecos e conversar com as pessoas de perto, em homéricas galinhadas com arroz. Tinha, de fato, os contrários, mas fez história como gestor, muito mais demagogo e populista.
Depois veio a eleição do emedebista Amélio Dalmolin, tendo como vice o pefelista Olício Real. 1.989/1.992. Também, um período de muitas dificuldades e de pouca reação em termos de crescimento estrutural, com um final conturbado e de tentativas do vice ascender à titularidade.
E veio o ano de 1.992, da eleição municipal com o vislumbre da volta do candidato dr. Luiz Barbosa que mais tarde seria barrado pela Justiça Eleitoral. E dr. Luiz não se deu por vencido e apresentou a irmã Lídia Barbosa Nogueira para substituí-lo na disputa com o candidato dr. Manoel Loureiro.
Novo período de tramas e tramoias que resultariam na derrota do candidato favorito, Manoel Loureiro que, dizia-se, teria apoio até da Justiça Eleitoral. Não sendo suficiente ante a perspicácia do grupo dos Barbosa que acabou derrubando o emedebista por conta de um propósito de se evitar o continuísmo sem avanços significativos.
Foi uma vitória à muitas mãos (e cabeças pensantes), onde a conspiração foi fatal nos bastidores da campanha.
E Lídia Barbosa praticou um governo, meramente, de cumprimento do trivial, prejudicado pela morte do lendário político Luiz Barbosa. E aí, estabeleceu-se um vácuo no tradicionalismo e na polarização dos antigos para, daí surgir um vereador que alçou voo ao cargo majoritário.
Em 1.996, emergia do Parlamento o astuto sem terra Devair Valim de Melo que buscou amparo no experiente político Jorge Araújo Martins para vice em sua campanha que seria vitoriosa, elegendo-se prefeito em 1.996, assumindo em janeiro de 1.997.
Foi o mergulho mais profundo que Nobres experimentou em suas finanças e administrativamente falando, com anos de atraso e sucumbência de um custo daquela gestão que legou o atraso embora se diga que tenha sido socialmente eficaz. Isso, ao tempo em que o clientelismo político sobrevivia de sacolões, motivo para uma gloríola que é decantada até hoje.
Entre 1.997 até o ano 2.000, de final melancólico, foi quando Nobres teve a necessidade de ressurgir das cinzas. O jovem prefeito Flávio Dalmolin, uma invenção política extraída do comércio para superar o ardiloso candidato à reeleição Devair Valim. Foi uma nova “guerra” nos bastidores para superar um grupo no poder, marcado pelos erros administrativos e uma lista interminável de dívidas acumuladas.
E, novamente, plagiando aquele locutor que apresentava a sua “Crônica do Meio Dia” pela Rádio A Voz do Oeste, de Cuiabá, o inesquecível Alves de Oliveira que costumava repetir: “A cidade vive dos que vivem nela”. Não se pode precisar que a frase seja dele, porém, chegou-nos aos ouvidos através dele, aquele que mais tarde viria a criar e a lançar o jornal “Diário de Cuiabá”, em 1.969.
E o que dizia Alves de Oliveira virou até música, criada pelo músico e compositor Pescuma que diz assim: “Toda cidade tem seus tipos; Cuiabá também os tem, Uma cidade sem eles; Vive cheia de ninguém… A cidade vive dos que vivem nela; Já dizia o grande locutor; Sem eles qualquer cidade; Seria um jardim faltando flor… Tipos populares, boêmios sem fim; Nos bares, becos e esquinas; Vivem felizes, sim!”.
E assim, Nobres vive, superando as adversidades por conta de um povo guerreiro que luta e batalha, e sempre batalhou por dias melhores. Não por acaso, o tempo se encarregou de nos transportar aos dias atuais para recontar tais atos e tais fatos.
Vamos buscar contato com novos capítulos, na próxima crônica que virá em seguida; com Flávio Damolin substituindo Flávio Dalmolin em reeleição após o mandato que teve início em 2.001 e foi até 2.004.




















































