
As eleições municipais em Nobres, no ano de 1.992, foi marcante do ponto de vista de uma verdadeira “guerra”, travada entre o velho e o novo; entre aqueles que dominavam a política e os que queriam entrar ou manter o poder, a qualquer custo.
Entre os anos de 1.989 e 1.992, o prefeito era Amélio Dalmolin, então do PMDB, e o vice o empresário Olicio Real (PFL). Foram dias complicados na relação entre prefeito e vice, por conta de demandas políticas e tentativas de afastamento, mas ao fim, Amélio Dalmolin permaneceu e prevaleceu até o fim, em dezembro de 1.992.
Mas, os maiores conflitos, mesmo, eram criados no terreno da sucessão, onde os candidatos, à época, eram Manoel Loureiro, atual prefeito de Diamantino, e Luiz Barbosa, que não teve permissão da Justiça Eleitoral para concorrer e foi substituído pela irmã, Lídia Barbosa Nogueira.
Foi uma disputa polarizada entre dois nomes e um cenário em que médicos na política se digladiavam nos bastidores. A família Barbosa, de muitos médicos, e o então secretário de Saúde (afastado), dr. Manoel Loureiro com a também médica Cristina Nasser Manfrim no exercício da pasta da Saúde pelo afastamento do dr. Manoel para a disputa eleitoral.
Dr. Manoel, então arrendatário do Hospital São Luiz, que funcionou onde está hoje a Loja Martinelo, inaugurava o Hospital Laura de Vicuña, em novas instalações, naquele outubro de 1.992, como parte de todo um enredo político que acabaria desmistificado pela imprensa e pelos contrários.
Estava criado todo um contexto para que o poder ficasse em mãos do PMDB, inclusive com uma bem engendrada e cirúrgica trama para a transferência de títulos eleitorais, de Rosário Oeste para Nobres, lá no escondidinho do setor rural.
Essa trama foi desfeita com a divulgação da lista de títulos eleitorais transferidos, em cujo bojo constavam até nomes e locais onde votariam. Naqueles dias de 1.992, há poucos dias da realização das eleições, o jornal Tribuna de Nobres teve a edição recolhida, por determinação judicial, só que ninguém entregou o jornal impresso. A diretora do jornal teve a ordem de prisão expedida, mas não foi encontrada na cidade.
O então senador Louremberg Nunes Rocha teria sido barrado pela autoridade eleitoral em local de apuração e usou de suas prerrogativas para acompanhar a apuração. Havia muita coisa estranha no ar e uma certeza, a de que a situação, liderada pelo candidato do PMDB, Manoel Loureiro, tinha que vencer. O “script” foi criado para que a vitória fosse retumbante, mas prevaleceria o ordenamento, tanto jurídico quanto Divino, determinantes para que a cortina de fumaça fosse dissipada.
Foi uma das maiores tragédias para um grupo político que costumava mudar de domicílio em busca de poder. A verdade veio à tona e a justiça foi feita, com muita gente respondendo pelos atos, naquele que foi um episódio marcante na história política do município de Nobres.
E mais uma vez ou pelo menos daquela vez, consumou-se que todo poder emana do povo. E o povo quase foi vencido pelas maquinações descobertas, cujo envolvimento desmantelou a imagem de uma figura expressiva do lado eleitoral, além de revelar nomes e envolvimentos de pessoas por trás de toda uma “engenharia” criada para se chegar ao poder.
A verdade que pairou naquele ido ano de 1.992, seguiu no ar até no Globo Repórter, onde teve começo, meio e um pouco do fim de um caminho que trouxe um ex-presidente da Câmara de Vereadores de Rosário Oeste até Nobres para tentar alçar voo até a chefia do Poder Executivo.
Se não deu certo aqui, que bom que tenha dado positivo um pouco mais adiante, em outras paragens.





















































