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Tribuna de Nobres

22/02/2018
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Fatos Sociais

Rusga ‚Äď o grande movimento cuiabano

     Rusga ‚Äď o grande movimento cuiabanoPorque ser√° que n√≥s cuiabanos n√£o valorizamos nossa hist√≥ria?

Porque ser√° que muitos cuiabanos n√£o sabem o que foi o movimento rusga?

Porque ser√° que tudo que acontece aqui, √© logo diminu√≠do na import√Ęncia e na grandeza. Guerras e revolu√ß√Ķes aconteceram pelo mundo afora, muitos morreram por uma causa, muitos defenderam uma causa. No Rio Grande do Sul comemora-se a Revolu√ß√£o Farroupilha, (foi institu√≠da a semana Farroupilha), e aqui em Cuiab√°? A Rusga, foi jogada no esquecimento, n√£o tem um Vereador, e nenhum Prefeito para instituir a Semana da Rusga, √© importante que os nossos jovens cuiabanos saibam o que foi a Rusga, porque ela existiu e o resultado dela como movimento revolucion√°rio, o que foi feito dos lideres? Porque os cuiabanos matavam os traidores com bala de prata? Porque Cuiab√° foi a segunda cidade do pa√≠s a desenvolver esse movimento pol√≠tico?

S√£o perguntas que ficaram perdidas no tempo, e que apenas s√£o relembradas como simples acontecimento, √© atrav√©s da hist√≥ria que podemos entender o nosso passado e com certeza vamos ficar sabendo que nossos parentes, nossos bisav√īs viveram historicamente nessa passagem de luta pela liberdade e independ√™ncia governamental de Cuiab√°.

Para dar um sentido de exaltar essa passagem histórica para todos os cuiabanos, fatos que aconteceram aqui nas ruas de Cuiabá, e informar que movimentos iguais a este aconteceram concomitantemente em cinco estados do Brasil no período de 1832 a 1.838.

Ap√≥s a independ√™ncia do Brasil, nasceram v√°rios movimentos liberais para instalar um governo com autonomia nas prov√≠ncias e em Cuiab√° n√£o foi diferente , e tendo como o principal sentido, a reforma das antigas pr√°ticas exercidas pelos portugueses durante o per√≠odo colonial. No s√©culo XIX, conta a hist√≥ria que os nativos cuiabanos passavam por situa√ß√£o de opress√£o, abuso de autoridade e imposi√ß√£o de poder, que eram situa√ß√Ķes impostas pelos comerciantes portugueses, que gozavam de todos os privil√©gios, regalias e licenciosidades durante o per√≠odo regencial.

Membros do comando da elite cuiabana e com a simpatia do governo provisório de ideologia liberal, Sr. João Poupino Caldas que tentou abafar o movimento, não conseguiu, pois a revolta era grande, foi esquematizada uma estratégia de tomada do poder e vingança contra os comerciantes portugueses e assim aconteceu o primeiro posicionamento dos cuiabanos contra a situação imposta pelos costumes e organização de mando trazido pelo regime colonial. Para uns historiadores essa revolta organizada foi considerada apenas um movimento, e para outros historiadores esse fato histórico foi considerado como uma revolução, pois o movimento foi desenvolvido através de uma luta armada e subjugado a Guarda Municipal, e que tinha com resultado final a mudança do poder e do regime que era baseado em costumes coloniais.

A Rusga aconteceu no dia 30 de maio de 1834, durante a tarde a ala dos radicais liberais reuniram no Campo do Ourique (hoje Praça Moreira Cabral), e esquematizaram para a noite a maior matança de portugueses já ocorrida no país até então, (o movimento Farroupilha acontece em 1.835) através de grupo armado eclode o que ficaria conhecida como a Rusga Cuiabana, dentre os considerados como líderes da rusga citamos os alguns revoltosos: Pascoal Domingues de Miranda; Braz Pereira Mendes; José Jacinto de Carvalho; Bento Franco de Camargo,; José Alves Ribeiro; Euzébio Luis de Brito; Manoel do Nascimento e Antonio F. Mendes.

A hist√≥ria conta sobre v√°rias revolu√ß√Ķes em que os trabalhadores reuniam for√ßas para combater injusti√ßas e os movimentos sociais organizados promoveram grandes lutas, morrem e matam pessoas por uma causa, tendo como objetivo a liberta√ß√£o do poder imposto pela elite dominante. Mas a Rusga foi um movimento de revolta popular que saiu do controle das lideran√ßas liberais, e que propunha uma mudan√ßa nas estruturas econ√īmicas e pol√≠ticas. N√£o era um movimento nacionalista ou xen√≥fobo, era um movimento em busca da obten√ß√£o de independ√™ncia de poder e mudan√ßa comando do governo.

Na noite de 30 maio de 1834, ao aproximar da meia noite, oitenta revoltosos instalaram a situação de horror das ruas, e ouviam-se pelas ruas de Cuiabá os barulhos de machados que arrombavam as portas e gritos dos portugueses sendo degolados e violentados de maneira cruel e desumana, e "os rusguentos" levavam como troféu as orelhas dos "bicudos" mortos. E para evitar conflitos com a força policial, os revoltosos tomaram o Quartel dos Guardas Municipal, e assim executavam todos os inimigos sem confronto e com maior liberdade, durante o acontecimento, sangue corria em todas as casas de comércio, e ouviam-se gritos de guerras dizendo: "que morram todos os bicudos" (nome pejorativo dado aos portugueses) e, na contagem dos mortos não se tem a quantidade exata, para uns tombaram quatrocentos portugueses, outros dizem que foram duzentos e para outros foram mais de cem. Após a matança, instalou-se um quadro caótico em Cuiabá, os revoltosos foram presos e encaminhados para julgamento, e foi nomeado pelo governo regencial, o nome do Sr. Antonio Pedro de Alencastro, e o ex-governador provisório, Sr. João Poupino Caldas, antes de embarcar para o Rio de Janeiro foi assassinado pelas costas por uma bala de prata, ( pois para o povo cuiabano, ele foi o traidor que entregou os nomes dos líderes, e fazia parte da tradição cuiabana: "que todos os traidores deveriam ser assassinados com uma bala de prata").

Durante esse período ocorreram várias revoltas por todo o país: Cabanada no Pará em 1.832; Rusga em Cuiabá/MT no ano de 1.834; Farroupilha 1.835 no Rio Grande do Sul, Cabanagem no Pará em 1.837; Sabinada na Bahia em 1.837 e Balaiada no Maranhão em 1.838, portanto o movimento cuiabano não foi um fato isolado em Cuiabá, a revolta era geral em todo o país.

Esta cr√īnica tem apenas o sentido de relembrar os momentos hist√≥ricos ocorridos em Cuiab√°, sem querer ser impositivo ou mesmo achar que √© um texto cient√≠fico. N√≥s como cuiabanos temos que ser os porta vozes da hist√≥ria, s√£o fatos pol√≠ticos, apesar da viol√™ncia do movimento, tudo isso aconteceu aqui, e n√£o tem como esconder ou julgar como algo que dever ser esquecido ou jogado na lata do lixo, √© um relato com a sensibilidade de um cuiabano que ama esta terra, e sempre estar√° do outro lado, em posi√ß√£o diferente daqueles que tentam diminuir os acontecimentos e fatos ocorridos neste lugar aben√ßoado e reverenciado por todos aqueles que s√£o verdadeiramente cuiabanos. Que os outros fiquem sabendo que os nossos antepassados lutaram por um ideal, que os nossos l√≠deres lutaram para mudan√ßa de regime pol√≠tico e econ√īmico exatamente no dia 30 de maio de 1.834, e que Cuiab√° n√£o come√ßou agora, aqui existe uma hist√≥ria muito linda e que deve sempre ser relembrada e comemorada. Que as autoridades instituam "Semana da Rusga", na forma de apresenta√ß√Ķes de Pe√ßas Teatrais, Show Musical com apresenta√ß√£o Musicas Tradicionais e Culin√°rias Regionais.

Mas hoje no regime democr√°tico prevalece a vontade do povo, e vontade da maioria sempre vence, contra os traidores pol√≠ticos, n√£o se usa a bala de prata, mas sim o teclado de ouro das urnas eletr√īnicas, as lutas s√£o no campo ideol√≥gico, √© atrav√©s de confrontos de id√©ias e debates program√°ticos que o povo faz a melhor escolha, por isso que prevalece a m√°xima: o povo tem o governo que merece, na democracia a vontade da maioria sempre vence.

Econ. Wilson Carlos Fu√°

Ouvidor Geral da SINFRA/MT

Aguardo seu coment√°rio : fuacba@hotmail.com

(065) 9971 2950

 

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