Nada contra ninguém e contra as boas intenções que estão aí, sobre a possibilidade de encaminhamento de atletas de futebol para grandes equipes do Brasil. Mas muitos aspectos a considerar nessa possibilidade, de transformação de crianças esperançosas e famílias que sonham com o sucesso dos filhos.
Não temos dados estatísticos precisos sobre comparações com grandes nomes do futebol, mas não é difícil avaliar, à grosso modo, que para cada Messi (Argentina) e cada Lamine Yamal (Espanha), para cada Neymar (Santos/Brasil), ao menos uns 5000 mil projetos sejam frustrantes.
Os clubes de futebol profissional do Brasil dão preferência a atletas que frequentem a base do clube desde os primeiros anos de vida. Nesse processo de escolha está uma situação complexa e que foge ao entendimento de pais e mães, com mais ênfase àqueles de cidades interioranas, onde os pequenos atletas e suas origens necessitam de avaliação extrema.
Quem habilita as pessoas, de tenra idade, a sonho de se tornar jogador de futebol profissional precisa avaliar que esse tipo de atividade esportiva carrega uma taxa de reprovação estatística superior a 98%, transformando a transição para a vida adulta em um momento de extrema vulnerabilidade para jovens atletas.
Ou seja, de cada 100 atletas, apenas dois conseguem atingir seu objetivo, de se tornar um jogador de futebol profissional.
E, ainda há que se considerar a vida adulta nômade que leva um atleta profissional, além de se ter a premente necessidade de mostrar aos pequenos pretendentes que há uma enorme diferença entre ser jogador de futebol e ser atleta de alto rendimento.
Recentemente, o volante Danilo, então no Botafogo, disse que há uma enorme diferença entre ser apenas jogador de futebol profissional e ser jogador de alto rendimento. Isso, pra quem já tem no currículo um Campeonato Brasileiro e uma Libertadores da América.
Avalie isso para quem está engatinhando e nunca entrou em um CT (Centro de Treinamento) de um time profissional. Essa transição, de cidade pequena do interior para uma cidade grande, longe da família e longe da escola, a maior e mais segura base para um futuro melhor.
Há que se avaliar, necessariamente, a fábrica de ilusão que representa o futebol profissional. A realidade das estatísticas mostrar que ali onde o futebol nasce, frequentado por milhares de crianças que se iniciam em escolinhas, as locais, é importante que se cite, é como um funil estreito, onde menos de 1% dos jovens da base chegam ao profissional.
Isso, já estando dentro da base dos clubes, o que é muito diferente das intermediações que ocorrem em cidades interioranas, onde os atravessadores buscam lucrar com essa inegável venda de ilusão.
Outro fator interessante a se destacar são os baixos salários, onde cerca de 80% dos atletas, já profissionalizados, ganham cerca de até (até!) dois salários mínimos em uma carreira que dura mais ou menos 35 anos.
Nesse hiato, entre o sonho e a realidade, há que se considerar os riscos psicológicos e sociais com o abandono escolar, os treinos intensos, as viagens, que se juntam às pressões por resultados, as cansativas preleções e, enfim, um cenário altamente desgastante.
Essas situações levam à perda da infância a partir das rígidas rotinas que massacra o lazer e o convívio familiar. E ao se buscar estabelecer um foco na profissão, o atleta, com mais ênfase os iniciantes, a necessidade do foco leva o jogador a acreditar que essa seja a sua única identidade.
A pressão para os pequenos atletas carrega uma carga emocional enorme que vem das famílias e dos empresários, levando a uma falta de amparo emocional após a dispensa de um clube.
Junte-se a isso, os riscos físicos, por vezes, oriundos da vida dura da família, trazendo para o atleta o desgaste nas articulações, na parte muscular, de forma precoce, devido à necessidade de rendimento em alto nível.
E ainda há os riscos de lesões graves no joelho ou ligamento que pode trazer consequências severas a um futuro laboral, seja no futebol ou a uma futura atividade fora do esporte.
HISTÓRIAS DO FUTEBOL:
Na transição dos anos de 1.960 para 1.970, em Cuiabá, onde o futebol era meio amador e meio profissional, segundo relato de um grande atleta, a quem o pai de um outro atleta recomendou que cuidasse do filho e que só permitiria isso por confiar no vizinho, um pouco mais velho.
No vestiário, era colocado um balde de suposto suco, onde o próprio treinador sugeria que todos bebessem. O atleta cuidador e o atleta mais novo não aderiam ao “suco”, e quem tomava, a potência era aumentada.
Além de ser um técnico místico, folclórico e dado aos estímulos extra futebol, hoje com mais sofisticação, esses fatos ainda ocorrem.
E quantos jogadores não passaram e ainda passam fome nas repúblicas dos clubes pequenos, longe dos CT’s de grandes clubes, com alojamentos modernos e todos os requisitos necessários para bons resultados.
SOBRE NOBRES:
É importante destacar que é preciso avaliar os prós e os contras desse processo de busca de novos talentos, onde os grandes clubes é que devem se interessar pela realização de peneiras seja aqui ou em outra cidade.
Infelizmente, esse processo de fomentação das rifas para levar atletas a um intermediador de um grande clube, há riscos, tanto para o poder público municipal, como elo entre o atleta, o intermediador e os tropeços nesse trajeto.
Se algo der errado e o atleta perder o foco na profissão mais segura e qualificada, a educação em todos os níveis, a família também pode se frustrar e os acidentes nesse percurso, entre realidade e ilusão, serão de graves consequências.
Leia quem quiser e entenda como puder. Abraços e vamos bater de primeira nas notas escolares, onde a educação é mais efetiva, segura e psicologicamente menos desgastante.